domingo, 18 de outubro de 2015

EXAME DE SUFICIÊNCIA DO CRC

"Tenha a força das crianças,e acredite nos seus sonhos que tudo é possível mesmo que lhe digam o contrário, a felicidade não vem até nós, é preciso irmos ao seu encontro. Se quisermos algo devemos correr atrás."
Allison Porfirio

Segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade, existiam em 2014 no Brasil, 309 mil contadores ativos com registro nos Conselhos Regionais de Contabilidade.

Número de contadores pode dobrar nos próximos quatro anos

Paralelamente nesta mesma data existiam matriculados nas universidades do Brasil, cerca de 313 mil estudantes de ciências contábeis. Pode-se concluir que com base nestes dados, em pouco tempo o número de pessoas formadas em contabilidade dobrará.

Isso não quer dizer que todos estarão aptos ao exercício da profissão, visto que para isto, faz-se necessário ser aprovado no exame de suficiência do CRC, mas podemos concluir que, juntamente com os cursos de administração, pedagogia e direito, o curso de ciências contábeis está entre os que mais formam no Brasil.

Nos últimos anos a demanda por cursos de ciência contábeis aumentou de forma significativa, em decorrência principalmente de uma carência de profissionais de contabilidade demandados por uma nova ordem econômica. O resultado foi o descompasso da quantidade de vagas ofertadas, com a qualidade do ensino. Fato este que desencadeou nos últimos tempos uma leva de bacharéis com formação sofrível, o que provavelmente tenha motivado o Conselho Federal de Contabilidade a criar o exame de suficiência.

Passar no exame de suficiência

Poucos são as profissões que, para serem exercidas profissionalmente exigem uma avaliação dos seus órgãos reguladores e fiscalizadores. A contabilidade é uma delas.

Duas vezes ao ano os conselhos regionais de contabilidade de todo Brasil aplicam uma prova para avaliação do conhecimento teórico dos recém formados que desejam exercer a profissão.

O exame de suficiência é um dos requisitos para a obtenção de registro profissional em Conselho Regional de Contabilidade, conforme estabelecido pela Lei n.º 12.249/2010, com regulamentação da Resolução CFC n.º 1.486/15.

As provas são compostas por cinquenta (50) questões objetivas, com quatro alternativas cada (a, b, c, d), valendo um ponto cada uma, contemplando os seguintes assuntos:
  1. Contabilidade Geral;
  2. Contabilidade de Custos;
  3. Contabilidade Aplicada ao Setor Público;
  4. Contabilidade Gerencial;
  5. Controladoria;
  6. Noções de Direito e Legislação Aplicada;
  7. Matemática Financeira e Estatística;
  8. Teoria da Contabilidade;
  9. Legislação e Ética Profissional;
  10. Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade;
  11. Auditoria Contábil;
  12. Perícia Contábil;
  13. Língua Portuguesa Aplicada.
Para ser aprovado o candidato deve acertar pelo menos 50% da prova. Uma vez aprovado o bacharel em ciências contábeis poderá obter o seu registro no conselho e ai então ser considerado um contador apto ao exercício da profissão.

Em 2015 foram aplicadas provas nos dias 22 de março e 20 de setembro. Esta última edição tiveram 43.368 mil bacharéis em contabilidade inscritos e as provas foram realizadas simultaneamente em 126 cidades brasileiras.

Prepare-se para estudar

São muitos os assuntos a serem estudados e todos eles com um grande conteúdo.

Ter cursado a faculdade com empenho e dedicação é um grande passo e um importante requisito para ter sucesso na prova de suficiência do CRC. Mas isto não basta, é preciso também  dedicar-se a estudar os assuntos e refazer as provas passadas.

Existem alguns cursos preparatórios presenciais e "on-line" (EAD), que podem ser encontrados na internet. Fechar uma turma e contratar um professor particular é uma boa alternativa. Mas no final o que realmente importa é a seriedade e o comprometimento do estudante.  

Existem ótimos livros sobre os assuntos que fazem parte do programa do exame de suficiência. Veja alguns na postagem "Livros, ter ou não ter, eis a questão".

O Conselho Federal de Contabilidade divulga o edital com cerca de três meses de antecedência. No link abaixo você pode obter as provas dos últimos concursos e outras informações.

http://portalcfc.org.br/coordenadorias/registro/exames/exame_de_suficiencia/

sábado, 17 de outubro de 2015

A CRIAÇÃO DE RIQUEZA E A CONTABILIDADE

Você gosta de “estórias” ? Deixe-me contar uma. Ela é pequena e não vai tomar muito do seu tempo. Estou até acreditando que tenho uma faceta de contador de “estórias”. Bom ! A intenção é tentar mostrar o papel da contabilidade na mediação da  riqueza de uma nação e como esta riqueza é distruída pela sociedade. A contabilidade tem forte influência sobre a sociedade. E nós profissionais deste ramo temos uma importância ìmpar. Valorize-se sempre como profissional. Somos muito importantes para o País. E tenho dito!!!

“Imagine um País com 10.000 habitantes, governado por um rei e sua família composta por 40 integrantes. Para assessora-los, o rei possui 60 colaboradores diretos. Os outros 9.900 habitantes daquele País formam o restante da população, são os plebeus. Todos trabalham por conta própria. Os plebeus criam animais, cultivam a terra e fabricam artesanalmente objetos de usos diversos. Toda produção é vendida localmente em pequenas feiras. Boa parte da produção é vendida para a monarquia que paga o preço justo pelo que compra.

O dinheiro daquele País circula de um lado para o outro e todos pagam ao rei, 20% do que vendem a título de imposto. Parte do dinheiro dos impostos é revertido a população em forma de programas assistenciais e obras de infraestrutura.

Este País possui uma moeda própria, denominada gosma (GO$). O rei é o único que tem poderes para cunhar novas gosmas. Não há inflação naquele País. O rei e sua família concentram 70% de toda riqueza do País. Seus assessores detém outros 10%. Outros 20% está em poder dos 9.900 habitantes.

A renda per capita é de GO$ 1.000 por habitante, porém há uma grande concentração de renda e riqueza nas mãos da monarquia e de seus assessores. A renda e a riqueza está mal distribuída.

Um dia o rei tomou uma decisão. Ele resolveu financiar um grupo de plebeus empreendedores que desejavam criar uma empresa industrial voltada para a fabricação de alimentos em larga escala, de forma a atender as necessidades do povo que já não eram atendidas pela pequena produção artesanal.

O Rei chamou os seus assessores que elaboraram um plano de negócios afim de avaliar a viabilidade técnica, operacional, comercial e financeira do projeto da fábrica. O “business plan” foi aprovado e o projeto executado, 100% financiado com recursos do banco do Rei.


Ao entrar em operação, a nova fábrica vai gerar e distribuir renda à boa parte da população, beneficiando os “steakeholders” (aqueles que possuem interesse no negócio).


A decisão do Rei é louvável, pois transfere parte de sua riqueza para uma atividade produtiva, beneficiando os agentes econômicos envolvidos direta ou indiretamente na operação, com o consequente aumento do PIB do País, aumento da renda per capita e a distribuição de renda.

A contabilidade da Indústria Gosma Ltda, com suas técnicas e procedimentos, será capaz de medir a riqueza gerada e distribuída à todos os envolvidos (agentes econômicos), direta ou indiretamente pela nova empresa. Os “stakeholders”, com base nos relatórios gerados pela contabilidade poderão tomar decisões de seus interesses e do interesse da coletividade.”

A riqueza gerada e distribuída sob o enfoque da contabilidade considera a circulação de mercadorias e serviços e não a sua produção, pois não considera a capacidade produtiva instalada e não utilizada e a produção não vendida.

“Viva a Contabilidade, ela é uma grandiosa ferramenta de interesse social.”

Nas próximas postagens, quando for abordado as demonstrações contábeis, falaremos sobre a Demonstração do Valor Adicionado (DVA).

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

AS PRERROGATIVAS DO PROFISSIONAL DE CONTABILIDADE NO BRASIL

Conhecer uma pouco da história da profissão de contador te fará uma pessoa com mais cultura geral. Vamos lá, é legal. Leia, estude, prepare-se para estar entre os melhores.

Para compreendermos nosso presente, faz-se necessário conhecer um pouco do passado da profissão de contador e técnico no Brasil. Veja abaixo uma breve descrição da história recente: 
  • 1549 ocorreu a primeira nomeação feita por D. João III (décimo quinto rei de Portugal) para contador geral e guarda-livros, para Portugal e suas colônias.
  • 1770, Dom José, rei de Portugal, expede Carta de Lei a todos os domínios de Portugal, inclusive o Brasil, surgindo a primeira regulamentação da profissão contábil no país, em que fica obrigatório a matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em livros específicos deixando-o apto a obter empregos públicos, e a realizar escriturações.
  • O ensino contábil no Brasil se desenvolve timidamente por meio algumas publicações surgidas no final do século XIX,
  • 1809, criação da escola de comércio e nomeação de José Antonio Lisboa, que se torna o primeiro professor de contabilidade do Brasil.
  • O Código Comercial de 1.850 citava a figura do “guarda livros”.
  • Em 1870, surge a primeira regulamentação contábil no Brasil com o reconhecimento oficial da Associação dos Guarda-Livros da Corte, pelo Decreto Imperial nº 4.475, caracterizando o guarda-livros como a primeira profissão liberal regulamentada no país. As competências exigidas para estes profissionais eram o conhecimento das línguas portuguesa e francesa e esmerada caligrafia, dentre outras.
  • 1902 surge a Fundação Escola de Comércio Alvares Penteado,  primeira escola de contabilidade no Brasil na forma de escola de comércio, como Escola Prática de Comércio. 
  • 1905, o Decreto Federal nº 1 339/05 reconheceu os diplomas dos “curso geral” e do “curso superior”, emitidos da Escola Prática de Comércio. O “curso geral” tinha em seu currículo as seguintes matérias: Português, Francês, Inglês, Aritmética, Álgebra, Geometria, Geografia, História, Ciências Naturais, Noções de Direito Civil e Comercial, Legislação de Fazenda e Aduaneira, Prática Jurídico-Comercial, Caligrafia, Estenografia, Desenho e Escrituração Mercantil.
  • 1946, o Decreto Lei Nº. 9.295, de 27 de maio de 1946, cria o Conselho Federal de Contabilidade, definindo as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras providências.
  • A resolução CFC,  Nº. 560, de 28 de outubro de 1983, dispõe sobre as prerrogativas profissionais de que trata o artigo 25 do decreto lei Nº. 9.295 de 27/05/1.946:

Veja abaixo as prerrogativas do profissional de contabilidade conforme o artigo 3º. da resolução CFC  Nº. 560 de 28/10/1983:

1) avaliação de acervos patrimoniais e verificação de haveres e obrigações, para quaisquer finalidades, inclusive de natureza fiscal;
2) avaliação dos fundos do comércio
3) apuração do valor patrimonial de participações, quotas ou ações;
4) reavaliações e medição dos efeitos das variações do poder aquisitivo da moeda sobre o patrimônio e o resultado periódico de quaisquer entidades;
5) apuração de haveres e avaliação de direitos e obrigações, do acervo patrimonial de quaisquer entidades, em vista de liquidação, fusão, cisão, expropriação no interesse público ,transformação ou incorporação dessas entidades, bem como em razão de entrada, retirada, exclusão ou falecimentos de sócios quotistas ou acionistas;
6) concepção dos planos de determinação das taxas de depreciação e exaustão dos bens materiais e dos de amortização dos valores imateriais inclusive de valores diferidos;
7) implantação e aplicação dos planos de depreciação, amortização e diferimento, bem como de correções monetárias e reavaliações;
8) regulações judiciais ou extrajudiciais;
9) escrituração regular, oficial ou não, de todos os fatos relativos aos patrimônios e às variações patrimoniais das entidades, por quaisquer métodos, técnicos ou processo;
10) classificação dos fatos para registro contábeis, por qualquer processo, inclusive computação eletrônica, e respectiva validação dos registros e demonstrações;
11) abertura e encerramento de escritas contábeis;
12) execução dos serviços de escrituração em todas as modalidades específicas, conhecidas por denominações que informam sobre o ramo de atividade, como contabilidade bancária, contabilidade comercial, contabilidade de condomínio, contabilidade industrial, contabilidade imobiliária, contabilidade macroeconômica, contabilidade seguros, contabilidade de serviços contabilidade pública, contabilidade agrícola, contabilidade pastoril, contabilidade das entidades de fins ideais, contabilidade de transportes , e outras;
13) controle de formalização, guarda , manutenção ou destruição de livros e outros meios de registro contábeis, bem como dos documentos relativos à vida patrimonial;
14) elaboração de balancetes e de demonstrações do movimento por contas ou grupos de contas, de forma analítica ou sintética;
15) levantamento de balanços de qualquer tipo ou natureza e para quaisquer finalidades, como balanços patrimoniais, balanços de resultados, balanços acumulados ,balanços de origens de recursos, balanços de fundos, balanços financeiros, balanços de capitais, e outros;
16) tradução, em moeda nacional, das demonstrações contábeis originalmente em moeda estrangeira e vice-versa;
17) integração de balanços, inclusive consolidações, também de subsidiárias do exterior;
18) apuração, cálculo e registro de custos, em qualquer sistema ou concepção: custeio por absorção ou global, total ou parcial; custeio direto, marginal ou variável ; custeio por centro de responsabilidade com valores reais, normalizados ou padronizados, históricos ou projetados, com registros em partidas dobrados ou simples , fichas, mapas, planilhas, folhas simples ou formulários contínuos ,com manual, mecânico, computadorizado ou outro qualquer, para todas as finalidades, desde a avaliação de estoques até a tomada de decisão sobre a forma mais econômica sobre como, onde, quando e o que produzir e vender;
19) análise de custos e despesas, em qualquer modalidade, em relação a quaisquer funções como a produção, administração, distribuição, transportes, comercialização, exportação, publicidade, e outras, bem como análise com vistas à racionalização das operações e do uso de equipamentos e materiais, e ainda a otimização do resultado diante do grau de ocupação ou volume de operações;
20) controle, avaliação e estudo da gestão econômica, financeira e patrimonial das empresa e demais entidades;
21) análise de custos com vistas ao estabelecimento dos preços de venda de mercadorias, produtos ou serviços, bem como de tarifas nos serviços públicos, e a comprovação dos reflexos dos aumentos de custos nos preços de venda, diante de órgãos governamentais;
22) análise de balanços;
23) análise do comportamento das receitas;
24) avaliação do desempenho das entidades e exame das causas de insolvência ou incapacidade de geração de resultado;
25) estudo sobre a destinação do resultado e cálculo do lucro por ação ou outra unidade de capital investido;
26) determinação de capacidade econômica-financeira das entidades, inclusive nos conflitos trabalhistas e de tarifa;
27) elaboração de orçamentos de qualquer tipo, tais como econômicos, financeiros, patrimoniais e de investimentos;
28) programação orçamentária e financeira, e acompanhamento da execução de orçamentos-programa, tanto na parte física quanto na monetária;
29) análise das variações orçamentárias;
30) conciliações de conta;
31) organização dos processos de prestação de contas das entidades e órgãos da administração pública federal, estadual, municipal, dos territórios federais, das autarquias, sociedade de economia mista, empresas públicas e fundações de direito público, a serem julgados pelos tribunais, conselhos de contas ou órgãos similares;
32) revisões de balanços, contas ou quaisquer demonstrações ou registro contábeis;
33) auditoria interna operacional;
34) auditoria externa independente;
35) perícias contábeis, judiciais e extrajudiciais;
36) fiscalização tributária que requeira exame ou interpretação de peças contábeis de qualquer natureza;
37) organização dos serviços contábeis quanto à concepção, planejamento e estrutura material, bem como o estabelecimento de fluxogramas de processamento, cronogramas, organogramas, modelos de formulários e similares;
38) planificação das contas, com a descrição das suas funções e do funcionamento dos serviços contábeis;
39) organização e operação dos sistemas de controle interno;
40) organização e operação dos sistemas de controle patrimonial, inclusive quanto à existência e localização física dos bens;
41) organização e operação dos sistemas de controle de materiais, matérias-primas, mercadorias e produtos semifabricados e prontos, bem como dos serviços em andamento;
42) assistência aos conselhos fiscais das entidades, notadamente das sociedades por ações;
43) assistência aos comissários nas concordatas, aos síndicos nas falências, e aos liquidantes de qualquer massa ou acervo patrimonial;
44) magistério das disciplinas compreendidas na Contabilidade, em qualquer nível de ensino no de pós-graduação;
45) participação em bancas de exame e em comissões julgadoras de concursos, onde sejam aferidos conhecimentos relativos à Contabilidade;
46) estabelecimento dos princípios e normas técnicas de Contabilidade;
47) declaração de Imposto de Renda, pessoa jurídica;
48) demais atividades inerentes às Ciências Contábeis e suas aplicações.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A MECÂNICA DO DÉBITO E CRÉDITO NA CONTABILIDADE

"Ah!!! esse tal de débito e crédito", que complicação, hein?! Nada disso, é muito mais simples do que imaginamos. Uma vez assimilada a lógica, você estará apto a compreender o processo de criação de riqueza sob a visão contábil. Vamos em frente. Estude.

Quando o Frei italiano Luca Bartolomeo Pacioli publicou a obra "Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornalità" no qual em um capítulo dedicado a contabilidade, “Particulario de computies et scripturis” ele descreve sobre o mecanismo da partida dobrada (para todo débito tem crédito correspondente e vice-versa), a preocupação dele era demonstrar esquematicamente para seus superiores, de onde vinham os recursos do mosteiro e onde estes recursos eram aplicados.

Para facilitar a compreensão deste mecanismo recomendo a leitura da postagem do dia 07/10/15 que discorre sobre origem e aplicação de recursos. 

Não existe aplicação sem origem, assim como não existe origem sem aplicação.

EXISTE UMA MÁXIMA QUE DIZ QUE NÃO HÁ ALMOÇO GRÁTIS

Imagine o seu salário mensal que é pago pela empresa onde você trabalha. Ao final de cada mês ela efetua o depósito do recurso em uma conta corrente no seu nome.

Veja que neste caso a origem do recurso é o seu trabalho, e a aplicação do recurso é o depósito em uma conta corrente no seu nome.

ORIGEM DO RECURSO = TRABALHO
APLICAÇÃO DO RECURSO = CONTA CORRENTE

Ao receber o seu salário, você já tem muitos compromissos firmados com terceiros. Você então aplica seus recursos no pagamento do aluguel de sua residência, na quitação da mensalidade do plano de saúde, na conta de água e luz, na conta de conta de internet e TV por assinatura, em lazer, em compras no supermercado, no pagamento da mensalidade da escola dos filhos, no curso de balé da filha e no judô do filho, etc.

Veja que neste caso a origem é a conta corrente onde seu salário foi depositado e a destinação são as despesas, o pagamento das contas.

ORIGEM DO RECURSO = CONTA CORRENTE
APLICAÇÃO DO RECURSO = DESPESAS (Suas e de sua família)

Sobre estes fundamentos podemos concluir que se “alguém” ou “algo” está em “débito”, haverá “alguém” ou “algo” com “crédito” correspondente.

DÉBITO: “Alguém” ou “algo” deve a “alguém” ou “algo”
CRÉDITO: “Alguém” ou “algo” financiou “alguém” ou “algo”

Obs.: Estou utilizando o termo “alguém” para uma pessoa e “algo” para uma coisa, um objeto ou algo abstrato.

Pode-se dizer que se “alguém” ou “algo” está em débito é porquê recebeu recursos de “alguém” ou “algo” e, em contra partida, se “alguém” ou “algo” está com crédito é porquê aplicou recursos em “alguém” ou “algo”.

De Pai para Filho

Imagine que um pai pague a escola do filho. Pode-se dizer que “alguém”, o filho, está em débito com “alguém” o pai. Em contrapartida, “alguém”, o pai, tem um “crédito” com “alguém”, o filho. Obviamente que este débito e crédito são decorrentes apenas de uma relação de amor e a preocupação do pai com o futuro do filho.

Livro preferido

Imagine agora que ao sair de casa para o trabalho você tenha $ 100,00 na carteira. Na hora do almoço você resolve passar em uma livraria próxima ao seu trabalho e comprar um livro que desejava há algum tempo. Você gasta $ 40,00 dos $ 100,00 que você tinha disponível, fazendo sobrar $ 60,00. Neste caso você, movimentou seu patrimônio da seguinte forma e faria assim a sua contabilidade:

SAIU: Dinheiro no valor de $ 40,00
ENTROU: Livro no valor de $ 40,00

Concluímos que, “algo”, o livro, recebeu recebeu a aplicação de recursos para que fizesse parte do seu patrimônio, e que desta forma ficou em “débito” com “algo”, o dinheiro, que por sua vez, ficou com um crédito com o livro, pois aplicou recursos na sua aquisição.

Se você controlar cada item individualmente, diríamos que cada um destes dois itens (“conta”), que faz parte do seu patrimônio receberia uma anotação na sua contabilidade pessoal da seguinte forma:

LIVRO = DÉBITO – 40,00 (está devendo ao caixa)
DINHEIRO (Caixa) = CRÉDITO – 40,00 (financiou o livro)

O livro adquirido representa a aplicação do recurso e o caixa de onde originou-se o recurso.

João e Maria

Vamos a mais um exemplo: Maria emprestou $ 500 à seu amigo João, logo Maria é a origem do recurso e desta forma Maria tem um crédito com João. João é a aplicação do recurso de Maria, logo João tem um débito com Maria. 






O PROFISSIONAL DE CONTABILIDADE E A ONU


Veja abaixo o que a ONU, é!, a Organização das Nações Unidas. Veja o que o que um profissional de contabilidade deve "dominar" para que tenha inserção no contexto mundial. Trata-se de um currículo mundial. Vamos lá!!! vamos estudar para estar estar entre os melhores. Acredite, você é capaz.

Em 2011 a ONU-Organização das Nações Unidas, elaborou um modelo mundial de currículo para a profissão de contador. O ISAR Model Accounting Curriculum, visa diminuir as diferenças do ensino da contabilidade entre os países e capacitar os contadores para que estejam aptos a atender os requisitos exigidos por mercados cada vez mais globalizados. O documento foi elaborado  pelo Grupo de Trabalho Intergovernamental de Peritos em Padrões Internacionais de Contabilidade e apresentação de relatórios (International Standards of Accounting and Reporting - ISAR), subordinado à Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (United Nations Conference on Trade and Development - UNCTAD), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

O currículo é dividido em quatro blocos de conhecimentos:
  1. Conhecimento da organização e da atividade comercial;
  2. Tecnologia da Informação;
  3. Conhecimentos básicos de contabilidade, auditoria, contabilidade tributária e setores relacionados com a contabilidade; e
  4. Bloco optativo avançado de contabilidade, finanças e conhecimentos afins.
E está assim detalhado:

1. Conhecimento da Organização e da Atividade Comercial:
1.1 Economia
1.2 Métodos quantitativos e as estatísticas da atividade comercial
1.3 Políticas gerais das empresas, a estrutura organizativa básica e o comportamento das organizações
1.4 Funções e práticas da gestão e a administração das atividades
1.5 Comercialização
1.6 Operações comerciais internacionais

2. Tecnologia da Informação:
2.1 Tecnologia da informação (TI)

3. Conhecimentos Básicos de Contabilidade, Auditoria, Contabilidade Tributária e Setores Relacionados com a Contabilidade:
3.1 Contabilidade básica
3.2 Contabilidade financeira
3.3 Contabilidade financeira avançada
3.4 Contabilidade gerencial - conceitos básicos
3.5 Contabilidade tributária
3.6 Sistemas de informações contábeis
3.7 Direito comercial
3.8 Princípios fundamentais da garantia e a auditoria
3.9 Financiamento comercial e gestão financeira
3.10 Integração dos conhecimentos

4. Nível optativo (avançado) de contabilidade, finanças e conhecimentos afins:
4.1 Publicação de Relatórios Financeiros e Contabilidade de nível avançado para indústrias especializadas
4.2 Contabilidade gerencial avançada
4.3 Contabilidade tributária avançada
4.4 Direito comercial avançado
4.5 Auditoria avançada
4.6 Financiamento comercial avançado e gestão financeira
4.7 Estágio

Veja o conteúdo completo do documento (versão em inglês) na sítio da UNCTAD:


No link abaixo um documento da ANPAD faz uma análise dos currículos dos cursos em ciências contábeis no Brasil e na Argentina com o currículo munidial da UNCTAD:

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

LIVROS - TER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO


"Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar"

Abaixo alguns livros de contabilidade que vale a pena investir.




Considero este livro um dos melhores. Editado pela Atlas e escrito por Ariovaldo dos Santos, Ernesto Rubens Gelbcke, Elizeu Martins e Sérgio Iudícibus da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuarial e Financeira - FIPECAFI da Faculdade de Contabilidade, Economia e Administração da USP. Grandes nomes da contabilidade.  Esta edição está atualizada conforme as normas de contabilidade internacional, lei 11.638/07.





Esta é a edição anterior. Apresenta um conteúdo sistematizado da contabilidade muito bom. Pode-se encontrá-lo por um bom preço em "sebos" espalhados pela cidade. Mas deve-se ter cuidado uma vez que o conteúdo não se reporta as novas normas contábeis. 








Dois ótimos livros para aprofundar os estudos nas ciências contábeis. Contabilidade Empresarial de José Carlos Marion e Contabilidade Custo de Eliseu Martins.










Um livro que também vale a pena investir para quem quer aprofunda-se um pouco e ter uma fonte de estudo sobre a legislação do Imposto de Renda das empresas.









Este livro também é um bom investimento para quem deseja conhecimentos sobre finanças aplicável as pequenas e médias empresas. O texto é de fácil compreensão e as questões são abordadas de forma clara, facilitando muito o aprendizado. Aborda questões relacionadas a administração de capital giro, administração de contas a receber, administração de caixa, fundamentos de cálculos financeiros, inflação e taxas de juros, financiamentos, análise de investimentos, custo e formação de preços e lucro.




Este livro é recomendável para o início dos estudos em contabilidade. De fácil compreensão, contém bom conteúdo e muitos exercícios práticos.










Os autores, Eliseu Martins, Josedilton Alves Diniz e Gilberto José Miranda mostram as potencialidade e limitações de indicadores econômicos e financeiros aplicados à análise das demonstrações contábeis e a tomada de decisões.






Bom livro de contabilidade para quem esteja em busca de conhecimento sobre "joint venture", consolidação, juros sobre capital próprio, diferimento de tributos sobre o lucro, dentre outros assuntos com uma linguagem técnica porém muito apropriada a compreensão. Os autores são pessoas altamente qualificadas com vivência em grandes escritórios de auditoria. Vale a pena.





Acabei de ler um livro muito interessante.

Confissões de um Assassino Econômico. O autor narra sua trajetória de consultor na empresa MAIN, uma consultoria internacional, que seria um braço da Agência de Segurança Nacional do EUA. Como consultor ele conta as artimanhas do governo americano para manipular projetos de forma a tornar Países dependentes economicamente minando suas soberanias.


Ele fala do poder de grandes empresa multinacionais americanas, principalmente do ramo de energia, e de suas relações com políticos do alto escalão dos EUA.

O livro é recheado de fatos intrigantes sobre politica e poder em Países como Panamá, Indonésia, Equador e Arábia Saudita dentre outros e como os EUA agiam ou agem de acordo com seus interesses econômicos. Vale a pena.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015


CONVERGÊNCIA PARA PADRÕES INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE


Hummm! Tá complicando, né?! Não bastassem os padrões de contabilidade no Brasil, agora temos que conhecer os padrões internacionais de contabilidade. Mas que saco ter que estudar isso. Porquê eu não fui ser jogador de futebol? Seria menos trabalhoso. Não se preocupe, tudo vai dar certo. O que você precisa é de um pouco de dedicação e foco. Vamos em frente então. O mundo está cada vez mais globalizado e a linguagem financeira das empresas está convergindo para um padrão único. Isso é bom para os negócios e, se você dominar o assunto será muito bom para você, pois você será um profissional altamente requisitado pelo mercado de trabalho. Portanto mãos a obra e vamos estudar os pronunciamentos do CPC. Abaixo o início de tudo.  


A convergência do Brasil para as normas internacionais de contabilidade teve início oficialmente em 2008, quando as empresas passaram a cumprir a lei 11.638/07 e a MP 449/08. 

Vejo que alguns alunos tem dúvidas ou desconhecem o assunto. 

A internet e os livros estão repletos de conteúdo sobre o referido assunto. Apenas para tentar ajudar, anexo abaixo dois links sobre a adoção do IFRS no Brasil publicados pela Deloitte e pelo Ibracon. 

Apesar de um pouco antigos, acredito que podem ser de muita valia aos estudantes que estão iniciando no assunto, a conhecer um pouco da história.

http://www.iasplus.com/en/binary/americas/0902brazilpracticalguide.pdf


O link abaixo também contém um ótimo conteúdo sobre o assunto, com explicações sobre a NBC-TG 13 que corresponde ao CPC 13 que trata da adoção inicial da lei 11.638/07.


O sítio do CPC, Comitê de Pronunciamentos Contábeis, possui a íntegra do pronunciamento CPC 13 sobre a adoção inicial da lei 11.638/07 que implementa o IFRS no Brasil.


No sítio do CFC, Conselho Federal de Contabilidade, você encontrará esta "Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral", NBC TG 13 e outras que desejar consultar ou estudar.



Os pronunciamentos contábeis, emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e que são convertidos nas Normas de Contábeis - NBC, já há algum tempo norteia a vida das empresas. Mas os pronunciamentos são dinâmicos e vez por outra são alterados ou novos são criados. Veja na reportagem do Jornal Valor Econômico a norma "Noclar" que está em fase de tradução e deverá entrar em vigor em meados de 2017. 
http://www.valor.com.br/empresas/4768369/contador-tera-que-reportar-irregularidade-partir-do-ano-que-vem  

Ressalta-se que com a entrada da Lei 12.973/14, que dentre outras coisas acabou com o RTT - Regime Transitório de Tributação, os pronunciamentos contábeis - CPC, vem passando por um processo de revisão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

FONTES DE RECURSOS E SUAS APLICAÇÕES

Falamos anteriormente em recursos e os associamos aos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

A empresa necessita de recursos para suas operações e para isso procura encontrar fontes para financiar estes recursos. As fontes dos recursos estão representas principalmente por aqueles que financiam os fatores de produção necessários para o funcionamento da empresa. A empresa aplica os recursos que retornam para ela sob a forma de fonte de novos recursos.

Veja o caso de uma indústria que transforma matéria prima em produtos. A indústria precisa comprar os materiais (matéria prima, embalagens e insumos diversos) necessários a sua produção e para isso pode utiliza-se de recursos próprios ou de terceiros. Os terceiros são aqueles que se relacionam com a empresa, seja fornecendo material e insumos, seja fornecendo mão de obra, seja financiando equipamentos, caixa etc.

Veja alguns exemplos: 
  • Fornecedores financiam matéria prima, embalagens, mercadorias, equipamentos etc.
  • Empregados financiam mão de obra.
  • Governo financia impostos, encargos sociais etc.
  • Bancos financiam equipamentos, investimentos, dinheiro etc.

Repare que estas fontes são externas e geram obrigações (passivos) em contra partida.

Com estes recursos a empresa produz o que se propôs fazer, conforme esteja definido em seu objeto social. 

  • Produtos
  • Serviços

Os produtos e serviços são oferecidos aos clientes e os recursos retornam sob a forma de preço de venda. Este preço gera o faturamento da empresa que irá financiar novos recursos. É um ciclo sem fim.


DE ONDE VEM OS RECURSOS
PARA ONDE VÃO OS RECURSOS
Origem ou Fonte
Aplicação ou Destino